domingo, 26 de abril de 2015

25 de Abril A Revolução dos Cravos

Hoje, passados tantos anos da Revolução dos Cravos, não posso deixar de falar sobre aquele dia que tantas alegrias trouxe para um povo oprimido. Lembro-me perfeitamente das rádios e da RTP cantando sem parar a "Grândola Vila Morena " de Zeca Afonso. Cravos eram oferecidos aos soldados que os colocavam na ponta de suas armas (gesto lindo). O povo estava eufórico, muito se falava, pouco se entendia, mas sabíamos que grandes mudanças estavam por vir.Muitas dessas mudanças não deram o resultado esperado, mas para quem estava numa ditadura há 48 anos , era de esperar que tentativas fossem feitas até uma delas dar certo. O governo num dia era comunista no outro socialista, já em outro era da Direita (CDS), acompanhei estas mudanças nos meus quinze anos. Fui a muitos atos políticos, sempre gostei de política, sem ser partidária, mas posso até considerar-me subversiva, se levarmos em conta, que eu lia os livros proibidos como " A Mãe de Gorki', e tantos outros levados para casa em sacos de papel, aqueles do mercado,( com medo da PIDE). lembro-me perfeitamente de duas frases já no final do Livro de a mãe de Gorki, que diziam o seguinte:(- Povo, reúne as tuas forças em UMA só força), (... Não há sofrimento mais amargo que o dia a dia devora o coração e oprime o peito..), bem quando li este livro eu tinha apenas 13 anos e interpretei da seguinte forma, primeira que o povo não sabe a força que tem, se unido, a segunda, que o homem não aguenta ser oprimido porque ele nasceu com a essência de Deus que é ser livre, Portanto, o que eu quero dizer é que não devemos jamais perder as conquista alcançados ao longo dos anos, muitos deram suas vidas para que hoje tenhamos mais liberdade e mais direitos.
Só damos o verdadeiro valor à liberdade quando a perdemos. Que o digam principalmente os presos políticos, aqueles que passaram pelos porões da ditadura. Jamais esquecerei aqueles soltos após a revolução dos cravos, saíam das prisões meios tontos, a visão turva, havia alguns que estavam há vinte , trinta ou mais anos sem verem suas famílias, sem verem o brilho do sol, sem ver o verde dos campos, enfim, sem viver.
Sei que Portugal não atravessa um dos seus melhores momentos. Sei também a grande capacidade deste povo valoroso. Se tirarmos os grandes vilões da história ou seja os políticos corruptos , já seria um grande avanço.
Portanto, vamos valorizar o 25 de abril, os que lutaram para que esse dia acontecesse não têm culpa das arbitrariedades cometidas pelas nossas lideranças políticas atuais.
VIVA A LIBERDADE POLÍTICA!
VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
VIVA O 25 DE ABRIL!
VIVA PORTUGAL!
(Grândola, Vila Morena ,
Terra da Fraternidade
O Povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade...) .
( TERESA CORREIA)

sábado, 7 de setembro de 2013

Minha Escola

A e
Minha escola ficava num anexo da Casa do Sr.Tibério Peixeiro( mais conhecida como casa Cabral). Era uma única sala para quatro classes, aproximadamente  40 alunos. Na sala havia: um quadro negro, uma estante onde eram expostos os  cadernos dos melhores alunos, a mesa da professora, em sua gaveta ficava uma régua de madeira para aplicar os castigos, terror da maioria dos alunos.
O recreio era feito no largo do casario. Os meninos brincavam de jogar pião, malha etc... Já as meninas  brincavam de saltar corda, macaca, jogo do lenço, passar anel, etc...Rara vezes brincávamos juntos, meninos e meninas e quando isso acontecia a brincadeira  era  só de reis e rainhas.
   Nos dias de chuva não podíamos brincar. Então, ficávamos quietos na sala, quem se atrevia a falar ou ficar de brincadeira apanhava com a tão temida régua, as mãos ficavam vermelhas e doíam brutalmente. Ficávamos entregues à nossa dor e humilhação.
Usava-se uma lousa que era apagada por uma almofadinha de pano, a tabuada era decorada e cantada e ai de quem a errasse . A escola não tinha casa de banho, o cheiro atrás dela era nauseabundo, também não tinha aquecimento. Então, levávamos um lato velho, daqueles usados nas noras e que já não serviam para tirar a água. Braseirinha  era só para os mais abastados.
Lembro-me perfeitamente na primeira classe que fui eu que terminei o livro de leitura primeiro e como recompensa recebi um livro com a História da Rainha do Coração de Pedra.
Eram histórias tristes, mas de alguma forma despertaram-me o interesse pela leitura, hábito mantido até hoje. Engraçado, lembro-me de quase todos os colegas da escola.: O Toninho Tralhão, o Belito sempre a aprontar das suas, a Maria da Cândida que não gostava de ir para a escola, a Alice e sua irmã Albertina que não conseguiam aprender, os alunos das Pousadas etc... Na quarta classe eramos eu, o Zé Amendoeira, o Fernando Pinheiro, a Alice Quintela, a Alice Minhota, a Fatinha e a Maria Profetisa.
Naquela época não se investia em educação,  nem no espaço escolar, nada  tínhamos , a não ser uma imensa vontade de aprender ( alguns de nós), nossa imaginação ia além dos muros da escola tínhamos sede de conhecimento .
Havia ali ótimos alunos vou citar dois como exemplo; O Zé Amendoeira e o Fernando Pinho, eram muito bons .Tenho amigos dessa época e outros que perderam-se pelo caminho, mas tenho saudades de tudo que vivi e aprendi  nessa pequena e humilde escola.

Loucura X Lucidez

 Olhando à minha volta reconheço que para tudo nesta vida existe uma explicação. Reconheço também que o importante não é achar a explicação, mas sim encontrar o equilíbrio entre corpo e a alma.
Até os loucos têm horas de sensatez e os chamados sensatos horas de loucura. Muitos afirmam que a linha divisória entre sensatez e loucura é muito tênue. Acho que já estive muitas vezes no limite de ambas.
Acho que cada um tem uma loucura característica, ou seja, cada ser humano tem sua dose de loucura e sua dose de sensatez em maior ou menor grau. Seria muito chato se fossemos sempre lúcidos ou sempre loucos. Penso muitas vezes em certas pessoas que foram consideradas loucas e ao mesmo tempo fizeram coisas incríveis pela Humanidade e hoje são admiradas pela maioria dos mortais.
Exemplo disso são: Picasso, Amadeus, Einstein, Santos Dumont entre tantos outros...
Algumas vezes fico com vontade de cantar, recitar poesia durante uma aula, para uns pode ser loucura para mim pode ser simplesmente uma quebra de rotina.
Então, vamos procurar nosso ponto de equilíbrio sem deixar de ter um pouco de loucura.

sábado, 24 de agosto de 2013

Devaneio

Há um sítio da minha infância onde às vezes regresso como em sonhos.
Revejo lugares, imagino ver pessoas queridas que já partiram, converso com o pessoal no meio do Largo, observando a entrada e saída da Igreja, pulo corda, brinco de esconde esconde ( ou cabra cega) com minhas amigas de infância, como as mais belas e apetitosas frutas. Sinto os cheiros da minha Terra. Enfim, mato saudades! Faço tudo possível na dimensão exata do meu querer.

                                                              TERSA CORREIA

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Andarilho

 Andarilho        
Sou apenas um andarilho
Que segue seu destino
Não tenho eira nem beira
Mas sempre encontro um amigo
Uma sopa, um cantinho...
Para descansar da jornada
Neste tempo percorrido
Passei por muito perigo
Muita luta
Muita guerra
Irmão contra irmão
Briga-se tanto neste Mundo
Sem motivo ou com razão
Por petróleo ou pelo pão...
O Homem não compreende
Que a Terra é só uma pernoite
Uma parada na estrada
A fé nos dá o alento
A Natureza o Sou apenas um andarilho                                           TERESA CORREIA                              

sábado, 13 de abril de 2013

O Causo do Sr. Manuel Morgado e a Alma Penada

Eram aproximadamente 8:00 h de uma noite fria e escura do mês de novembro.
O Sr. Manuel Morgado ia para sua casa na Corujeira onde residia à época. Quando chegou em frente onde hoje é a casa da Marquinhas viu um vulto vindo em sua direção, cumprimentou-o dando-lhe as boas noites, sem mais nem menos recebeu uma forte bofetada, virando-se para retribuí-la, não viu mais ninguém. Punho em riste e bastante arreliado procurava o homem para todo o lado. Foi assim, que minha mãe o encontrou quando ela voltava do terço do mês das almas. Ela perguntou-lhe o ocorrido, escutou o Sr. Manuel muito atenta e rapidamente deu o veredicto.
__Manuel, se tu não vistes mais o homem, só pode ser uma alma penada!
A essa altura o Curral já estava em polvorosa com o acontecido. Então, minha mãe levou o Sr. Manuel para nossa casa até ficar mais calmo. Na luz verificamos realmente que o Sr. Manuel Morgado tinha o rosto marcado e muito vermelho de um lado só.
Ele repetia sem parar:__ Eu lá sou homem de levar lambada na cara  e ainda por cima não dar o troco.
Verdade! O Sr. Manuel não era homem de levar  desaforos  e nem tão pouco mentiroso, mas naquela noite teve que voltar para casa com o rosto marcado e muito furioso, pois àquela altura podia até ser algum desafeto morto tempos atrás.
Bem, o caso espalhou-se pela aldeia e serviu para abrilhantar as conversas dos longos e frios serões por vários anos.;
PT. No local da dita lambada havia uma pequena fonte chamada a fonte dos Felizardos, ficava na parede de Moredo e tinha um pequeno negrilho um pouco acima.


                                                                    (TERESA CORREIA)      

sábado, 15 de setembro de 2012

Visão de Paradela da década de 70

Pequena aldeia tansmontana com aproximadamente 300 habitantes.
A principal rua era a direita. No meio da aldeia um largo, rodeado pela igreja, os tanques colectivos, onde as novidades corriam de boca em boca, o jardim da Casa Gama com árvores lindas e raras ( que pena terem sido trocadas por esqueletos de casas inacabadas), o tanque bebedouro dos animais, a fonte , onde as senhoras sentavam à tardinha para saberem das notícias mais recentes e verem o vai e vem do largo. O meio desse largo era enfeitado por uma bica de água cristalina, onde as raparigas enchiam seus cântaros de água e um lindíssimo chorão, onde os homens jogavam cartas e tomavam vinho.
O Largo era palco de todos os acontecimentos do lugar.
Em Paradela existiam duas mercearias, a do Sr. Abílio Figueiredo no Largo e a da Marquinhas no Curral. Ali podia-se comprar o que a terra não fornecia.
Os campos eram todos cultivados por: belas searas ,vinhas, olivais, cerejeiras etc..
As famílias eram ordeiras e simples. Os mais velhos aceitavam a vida tranquila do campo. Os mais jovens saiam sequiosos de conhecer o mundo. Porém, quase todos voltavam para as férias de verão.
Não importava a casa simples ou a mesa tosca, mas farta de pão e afecto.
Foi nesse lugar mágico que nasci, passei minha infância e vivi os amores platónicos próprios da juventude.

sábado, 8 de setembro de 2012

Abuso sexual

  Hoje em dia somos bombardeados por notícias sobre abusos contra crianças e adolescentes, seja na própria casa ou nas instituições.
   Sabemos que no lar é muitas vezes o pai, o padrasto, o tio etc..., o violador. Pessoas que deviam lutar pela segurança dessas crianças. Sabemos também que muitas vezes a própria família, inclusive a mãe encobre por  medo do marido ou de escândalos. Isso eu chamo de covardia.
   Atrás dos muros, as crianças são abandonadas à própria sorte e esses monstros aproveitando-se desse abandono agem de modo covarde, achando o cenário perfeito. Muitos desses monstros são: juristas, padres, políticos e etc...
    Enfrentamos ainda a pedofilia via redes sociais.  Esses monstros entram em nossas casas para seduzir nossas crianças. Algo precisa ser feito para acabar com tamanha monstruosidade. As autoridades fazem vista grossa. Teme-se mexer no vespeiro podre  e abandonam-se os infelizes ao choro, à raiva, à dor pelos cantos do sacrifício. Muitas vezes ainda sentindo-se culpados por lhes incumbirem  esta "culpa".
   A sociedade vive numa espécie de sonambulismo pela deturpação de valores e precisa acordar e dar um vasta nesta ferida aberta em todas as camadas da sociedade .
   A criança que sofre abusos dá-nos sinais para que percebamos o que está acontecendo. Então, não façamos como a avestruz, baixando a cabeça para o problema. É nosso dever zelar, observar e denunciar.
  _  Vamos proteger nossas crianças!
  _  Lutemos por sua integridade física e moral!
     Para que o futuro dessas crianças possa chegar com novas matizes, novas perspetivas.


                                                                                            Teresa Correia.


   



Pedras Portuguesas

    Há algum tempo atrás, lendo o jornal , deparei-me com a seguinte manchete: "Pedras Portuguesas Genéricas".
     Li e reli , precisava entender.
     Pirata não é material falsificado? E genérico é o quê? Fui no "Aurélio," está lá .Genérico: respeitante ao gênero e nome do princípio ativo que o integra. Pirata: diz-se de edição de livros, discos, ou produção de objetos, etc... fraudulentos.
     Bem, pelo que eu entendi, genérico, quer dizer que o produto fabricado tem o mesmo princípio ativo. Então, não é falso, mas o princípio ativo das pedras portuguesas é pedra, já as genéricas é cimento, sendo assim, as pedras genéricas brasileiras não são genéricas, e sim fraudulentas.
     As verdadeiras pedras portuguesas são feitas de pedra e trabalhadas por competentes artesãos, que fazem com elas desenhos sensacionais para embelezarem as ruas das nossas cidades portuguesas. Arte esta admirada por tantos que nos visitam.
     As genéricas são feitas de cimento e moldadas em formas pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
      No mesmo dia da matéria chegando no Centro do Rio, vejo a guarda Municipal prenderem as mercadorias dos camelôs. Gente! Não entendi nada, ou melhor, entendi que tanto as mercadorias dos camelôs, assim como as pedras genéricas são falsificações baratas, e de portuguesas não têm nada. Acho até que nossas pedrinhas tão famosas mereciam um pedido formal de desculpas, evitando-se assim, um conflito entre os países irmãos.
Nota; Estas pedras genéricas foram colocadas na Zona Portuária do Rio de Janeiro.

                                                                                                                             (TERESA CORREIA)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Entre A Paz e a Guerra

Os pássaros surgiram no céu como raios violentos no horizonte .E como máquinas mortíferas arremessaram-se contra os arranha céus da cidade,riscando do mapa as torres imponentes, que viraram sucata poeirenta e sangrenta no chão.
Vidas se foram.
O mundo inteiro parou.
O inacreditável era triste realidade, um atentado, audacioso e covarde, mostrando ao mundo como somos todos vulneráveis , perante aos corações endurecidos pela ignorância e o fanatismo.
Tomara que este triste episódio sirva como meio de unir os povos, buscando soluções  para a PAZ, que ao invés de petróleo, ouro e novas armas , busquemos sementes que,  brotarão nos corações dos homens, para aplacar a dor, a fome e a desigualdade.
Que os futuros aviões risquem nos céus  um novo rumo e ajudem a esculpir o mapa desse novo mundo.


                                                                          (Teresa Correia-13/09/2001)

Irmão Sofredores

Lá do alto das muralhas
Os sentinelas vigiam
Os espíritos agressivos
Afastando desta casa
Os iminentes perigos

A casa foi protegida
Pelo abraço amigo
A invasão programada
Agora não faz mais sentido

Irmãos fiquem atentos
Às ciladas do caminho
Os frutos agora doces
Antes tinham espinhos

Umbralino nosso irmão
Filho do Criador
Façamos nossas preces
Pelo irmão sofredor

Vamos irmãos, entreguem-se
Ao trabalho mediador
Não existe crescimento
Sem sofrimento nem dor.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um novo dia

Quero viver um novo dia
Cansei de minha fragilidade
Vencerei meu medo
Tenho sede de felicidade

Quero deixar meu corpo pleito
Livre das amarras do passado
Fazer do ato um feito
Não sonho cristalizado

Tudo na sintonia do espaço
Não será mera recordação
Quando chegares abrirem meus braços
Farei desta noite uma canção.

Pai

Pai, hoje faz trinta e cinco anos que partistes. Neste dia as lembranças são mais forte, sinto saudades do teu ombro amigo e do teu carinho.


Sei bem, que estás em outra dimensão. Sei também que se puderes estarás acompanhando meus passos. Como a guiá-los, como fazias quando eu era criança. Bons tempos aqueles pai!


Que eu podia correr, brincar e quando alguma coisa ameaçava-me perigo, corria para junto de ti. Então abraçavas-me e esfregavas a tua barba espessa, era teu jeito de dizeres ; não tenhas medo estou aqui . Eras um homem forte , muitas vezes temido pela tua força, teimosia e determinação, mas às vezes conseguia ver em ti um coração de criança. Hoje, muitas vezes meditando, vendo o sol ou as estrelas procuro-te e não sei porquê? Quando elevo o pensamento a ti, acalmo-me, parece que tudo em torno de mim está em paz, apesar de todas as tempestade. Pai, continuas a ser para mim a referência do amor, carinho e honestidade.


Nosso Amor

   Teu amor deu-me abrigo
   No deserto de minha solidão
   Teus braços  cingiram-me
   Cheios de ternura e paixão

   Tu foste para mim
   A primavera chegando
   Um sorriso de criança
   Num barquinho navegando
 
   No  teu ombro amigo
   Sempre encontro refúgio
   Nunca  negastes-me apoio
   És meu porto seguro.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Visão de Paradela na década de 70

Pequena aldeia transmontana com aprox. 300 habitantes.
A Rua Direita era a principal.
No meio da aldeia um largo, palco de todos os acontecimentos do lugar. Era rodeado por uma igreja, os tanques colectivos, onde as novidades corriam de boca em boca, o jardim da Casa Gama com árvores lindas e raras (pena terem sido trocadas por esqueletos de casas inacabadas), o tanque bebedouro dos animais, a fonte onde as senhoras sentavam à tardinha para saberem as notícias recentes e verem o vai e vem do largo.
O meio do largo era enfeitado por uma bica de água cristalina e um lindíssimo chorão, onde homens jogavam cartas e bebiam vinho.
Existiam duas mercearias, a do Sr. Abílio Figueiredo no Largo e a da Marquinhas no Curral. Ali podia-se comprar o que a terra não fornecia.
Os campos todos cultivados por: belas searas, vinhas, olivais, cerejeiras etc...
As famílias eram simples e ordeiras.
Os mais velhos aceitavam a vida tranquila do campo. Os jovens saiam sequiosos de conhecer o
mundo. Porém, quase todos voltavam para as férias de verão.
Não importava a casa simples, a mesa tosca, mas farta de pão e afecto.
Foi nesse lugar mágico que nasci, cresci e vivi os amores platónicos tão próprios da juventude.

LEMBRANÇAS

Se um dia no futuro te encontrar.
Mesmo de longe, não deixa de saudar-me.
As lembranças são eternas, não fugazes como os beijos.
Porém, os teus marcaram-me de tal forma que ainda hoje sinto;
o gosto dos teus lábios e o suave odor do teu perfume.

VIDA

Hélvida Natividade, mulher vivida.
Movida por uma força indevida, resolvida a ser mulher da vida.
Certa vez fica envolvida.
Grávida, já com a barriga desenvolvida fica comovida.
Removida para a maternidade, nasce Lívida. Ávida, provida.
Devolvida à ciranda da vida.


domingo, 15 de maio de 2011

Visão de Paradela da década de 70

Uma pequena aldeia com aproximadamente 300 habitantes.
A Rua Direita era a principal,(ainda hoje é assim) no meio da aldeia uma igrejinha, os tanques coletivos, onde as novidades passavam de boca em boca, o jardim da casa Gama com suas árvores lindas e raras, ( pena serem arrancadas e trocadas por esqueletos de casas inacabadas ) um largo, palco de todos os acontecimentos do lugar, um chorão lindíssimo dava frescor às tardes quentes de verão e guardava muitas histórias e alguns segredos de várias gerações. Homens jogavam cartas e bebiam copos de vinho. Ah! A fonte onde as senhoras sentavam para saberem das notícias mais recentes e verem o vai e vem do largo.
Em Paradela haviam duas mercearias/bares, a do Sr. Abílio e da Marquinhas , onde podia-se comprar o que a terra não fornecia e ainda tomar alguns copos.
Os campos eram cultivados com belos trigais, batatais, vinhas, olivais, lindas cerejeiras e muito mais...
As pessoas eram ordeiras e simples , aceitavam tranquilamente a vida do campo. Os mais jovens saíam sequiosos para conhecer o mundo. Porém, quase todos voltavam , nem que fosse para passarem as férias de verão.
O Mês de Agosto era sempre uma festa. Bastava um toca discos, meia dúzia de pares, o baile estava armado, claro, com o nosso querido Diamantino abrilhantando o baile.
A aldeia só ficava cheia realmente na apanha da azeitona, vinha gente de todo lado, cantorias eram escutadas pelos campos , cantigas de amores sofridos, de filhos que foram para a guerra, etc... e assim, amenizava-se o frio.
Quem não lembra das anedotas do Nuno, dos bons-dias do Sr.Mário da Cacilda , Do Sr. Manuel Estopas trazendo a mala do correio de Mascarenhas por anos e anos a fio, cada carta trazida para mim, era paga com um copo de vinho, do Alcino ameaçando o Santo António ,caso chovesse no dia da festa, da mota do Zé Curina subindo pelas paredes, da joaninha do João Barragão e o carro do Carlos Alberto quebrando o silêncio do lugar. Tantos outros que ficaram nas lembranças.
Foi neste lugar mágico que nasci, vivi meus amores platônicos, tão próprios da juventude.
Não importava a casa simples ou mesa tosca , mas cheia de pão e principalmente de afeto.

Saudade

Olho através da janela,vejo prédios altos, só asfalto.
Querendo sentir o cheiro primaveril da minha Terra.
Ah! As cerejas,as azeitonas, o azeite,os queijos e o vinho. Não existem sabores iguais. Estão impregnados em mim, assim como as lembranças.
Esta saudade estrangula-me. É forte.
Confesso ter uma inveja quase contida.
Sou filha da Terra, do Luís e da Amélia.Amiga de todos vós.